quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Geleia de morango e ruibarbo

(Bigode de Chocolate)

Acho que até para os seus admiradores, saborear uma geleia preparada 100% com ruibarbo pode tornar o dia azedo. Mais açúcar não seria a solução, pois faria a geleia virar melado. A receita abaixo combina ruibarbo com morangos que, além de “enfrutecer” o sabor, acabam dando à geleia uma cor mais agradável. Mas se você não estiver satisfeito pois deseja uma cor ainda mais intensa, substitua parte dos morangos por framboesas. A sua despensa vai se iluminar. 

Ingredientes para 8 vidros de 200 ml:

  • 700 g de morangos
  • 300 g de talos de ruibarbo
  • 2 colheres de sopa de suco de limão
  • 500 g de açúcar
  • 25 g de pectina
  • 1 fava de baunilha (opcional)
Modo de preparo:

  1. Lave os morangos, retire as folhas e corte em pedaços pequenos. Os morangos preparados devem pesar 700 g. Lave os talos de ruibarbo, corte em pedaços bem pequenos. O ruibarbo preparado deve pesar 300 g.
  2. Misture todos os ingredientes em uma panela funda e deixe macerar por 1 hora. Caso utilize a baunilha, raspe as sementes e acrescente-as juntamente com a fava à mistura.
  3. Leve a panela ao fogo alto, mexendo sempre. Quando levantar a fervura, conte 3 minutos e retire a geleia do fogo. Durante o cozimento, retire o excesso de espuma que se formar com uma escumadeira. Descarte a fava de baunilha. Distribua em vidros esterilizados, tampe e vire-os de ponta-cabeça por 5 minutos.

Dica: É normal que geleia de morango perca a cor com o passar do tempo. Melhor é conservar em local fresco e escuro.




Geleia de morango com aroma de baunilha

(Bigode de Chocolate)

Às vezes, chove morangos no mercado. A quantidade infinita de vidros estocados e uma certa configuração astral inspiradora avisam que está na hora de fazer geleia de morango. Praticamente, uso sempre a mesma receita. Nem sempre é só morango, mas independente da mistura,  a quantidade de açúcar sempre corresponde à metade do peso de frutas. Aqui enriqueço a geleia com uma fava de baunilha. Algumas colheres de rum também não fariam mal.  

Ingredientes para 7 vidros de 200 ml:
  • 1 kg de morangos
  • 2 colheres de sopa de suco de limão
  • 500 g de açúcar
  • 25 g de pectina
  • 1 fava de baunilha

Modo de preparo:
  1. Lave os morangos, retire as folhas e corte em pedaços pequenos. Os morangos preparados devem pesar 1kg. Corte a fava de baunilha longitudinalmente e raspe as sementes.
  2. Misture todos os ingredientes em uma panela funda e deixe macerar por 1 hora.
  3. Leve a panela ao fogo alto, mexendo sempre. Quando levantar a fervura, conte 3 minutos e retire a geleia do fogo. Durante o cozimento, retire o excesso de espuma que se formar com uma escumadeira. Descarte a fava de baunilha. Distribua em vidros esterilizados, tampe e vire-os de ponta-cabeça por 5 minutos.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O avatar.

Ao passar os olhos pelas receitas, concluí que o jantar de sábado só sairia na base da acrobacia. E dessa vez, a mesa era para pouca gente. A sofisticação dos pratos, no entanto, indicava que a empreitada não era para qualquer um. A solução foi me dividir em dois.

Enquanto discutia com o verdureiro se me venderia cinco maços de salsinha pelo preço de quatro, já escolhia os vinhos compatíveis em um estabelecimento onde pechincha era termo bronco. Bom foi que ainda ao atravessar a cidade com a sacolada, eu já polia os cristais, treinava o origami dos guardanapos e avisava a dama do apartamento ao lado de que risadas e constantes descargas sonoras invadiriam a madrugada.

Para alguém que sai às compras com o rabisco de uma lista decifrável apenas por escriba egípcio, deixar de comprar ingrediente por não se compreender a grafia é coisa previsível. Às carreiras, por isso, voltei ao supermercado atrás de preciosas amoras no mesmo momento em que na cozinha morna eu já tostava pinhólis além do ponto, chorava sobre cebola picada, aromatizava azeite, livrava salada do último grão de areia e devorava, nervoso, todo um pacote de amendoins confeitados. Mais tarde, com o açúcar caramelizando o estômago, me perguntaria, como se não bastasse comer entre as refeições, por que insisto em lambiscar enquanto cozinho. Acabo sempre comendo por dois, oras.

Se comigo a cozinha já está cheia, nem passa pela cabeça invocar ajuda. Afinal, incumbir tarefas e ainda vigiar alguém que nem conhece o fio das minhas facas me tiraria o prumo. E até todo o afligimento com a pitada de sal a mais, meu deus! Já não foi além da justa medida o tempo gasto para encontrar a perfeita ordem dos post-its na porta do refrigerador? Está claro que qualquer evento entre o convite enviado e o último prato enxuto não tomará mais do meu tempo do que aquele já gasto com o cronograma.

Eta, tanto embaraço num dia só. Já não tendo ocupação o bastante na cozinha, enquanto quebro a cabeça cortando o filé mignon em porções idênticas, ainda torço o nariz para o arranjo de mesa muito além da encomenda. Para toda a baixela e os talheres e mais um buquê agigantado não haveria mesmo espaço. Era cortar um galhinho aqui e outro ali ou realizar um jantar no qual palavras precisariam ser arremessadas de um lado ao outro da mesa. Nada mais de delegar tarefas a terceiros. No futuro, ou sou eu quem arranja as flores ou só confio em mim mesmo.

Os convivas louvaram o jantar. A prova, além do aplauso em palavras, foram o tempo perlongado à mesa, a risada afrouxada pelo vinho bom, o descompromisso com o praxe e a embolação dos guardanapos emporcalhados de parafina. Não há, afinal, etiqueta que resista até altas horas. Os dedos que até então coreografaram os talheres com precisão, acabaram debandados fazendo de brinquedo tudo o que sobrou do festim.

E eu, dividido entre a copa e a cozinha, furcado entre a simpatia do mestre de cerimônias e a responsabilidade do cozinheiro, acabo sem desfrutar nem do gosto das iguarias sequer do vigor excitante que vem após o trabalho bem-feito. Não pude entender as piadas contadas porque a espera por um plim do forno na cozinha me tirava do sério. Não vivi o júbilo de ser o primeiro a provar um molho equilibrado pois os olhos se destorciam até a mesa em busca dos copos já esvaziados. Da próxima vez, ou me tranco na cozinha e não arredo o pé de lá ou chamo os amigos para um papo e peço uma pizza.