sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Crescentes de baunilha - Vanillekipferl

(Das grosse Teubner Backbuch)

A primeira versão do Vanillekipferl se encontra em um livro de culinária austríaco de 1911. Difícil de acreditar, porém, é que a essência artificial de baunilha é mais antiga do que esse biscoito. Pois é, nossos antepassados já usufruíam de certas modernidades. Para a receita abaixo, usei duas favas de baunilha. Uma roubada, se você for um nostálgico de plantão. Esses crescentes de baunilha parecem ser bem mais saborosos do que os da sua vovó.

Ingredientes para 80 biscoitos:

  • 100 g de farinha de amêndoas
  • 275 g de farinha de trigo
  • 90 g de açúcar de confeiteiro
  • 1 pitada de sal
  • 1 fava de baunilha raspada
  • 200 g de manteiga gelada em cubinhos
  • 2 gemas de ovo
  • 150 g de açúcar misturado à polpa de 1 fava de baunilha

Modo de preparo:

1. Misture a farinha de amêndoas, a farinha, o açúcar, o sal, a polpa da baunilha e a manteiga. Com as pontas dos dedos, esfarele os ingredientes até obter uma farofa homogênea. Acrescente as gemas e trabalhe a massa rapidamente. Divida a massa em duas partes e enrole-as, formando linguiças compridas. Embale em filme-plástico e leve à geladeira por 2 horas.

2. Corte a massa em 80 pedaços. Faça bolinhas, pressionando-as entre as palmas da mão, com movimento de vai-e-vem, a fim de obter pequenas tripas. Afine as extremidades. Coloque os biscoitos sobre a forma, dando a eles a forma de lua crescente. Procure deixar um espaço entre os biscoitos, pois eles crescem um pouco.

3. Pré-aqueça o forno a 180°. Asse os crescentes por 12 minutos na grelha do meio, até ficarem dourados. O tempo pode variar de um forno para o outro.

4. Jogue o açúcar aromatizado sobre os biscoitos ainda quentes, movimentando-os, a fim de ficarem totalmente envolvidos. Assim que esfriar, guarde em recipiciente fechado.


Estrelas de canela - Zimtsterne

(adaptado de Konditorei, Patisseire, Bäckerei, Trauner Verlag)

Apesar dos poucos ingredientes, as estrelas de canela não são tão fáceis de preparar. Encontrar o “ponto certo” da massa pode não ser coisa para principiantes. A temperatura da sua cozinha ou mesmo um ânimo acalorado podem contribuir para o mau sucesso da receita. No entanto, não se acanhe e tente. Independente da cara dos biscoitos, no final, eu garanto, eles são ficarão deliciosos.

Ingredientes para 1 kg de biscoitos:

  • 150 g de marzipã
  • 300 g de amêndoas com pele moídas (mais um pouco para trabalhar)
  • 420 g de açúcar
  • 8 g de canela em pó
  • 1 pitada de sal
  • 5 claras de ovos

Ingredientes para o glacê:

  • 200 de açúcar de confeiteiro
  • 1 clara de ovo

Modo de preparo:

1. Para o glacê, misture o açúcar com a clara e mexa até obter uma consistência densa. Caso esteja líquido demais, acrescente mais açúcar.

2. Misture todos os ingredientes com 2/3 das claras. Trabalhe a massa e verifique sua consistência. Ela deve ser úmida mas não muito pegajosa, ideal para abrir com o rolo. Acrescente o restante das claras se achar necessário. E se por acaso ficar úmida demais, misture mais amêndoas moída até atingir o ponto certo.

3. Salpique a superfície de trabalho com amêndoas. Abra a massa a 1 cm de espessura. Espalhe uma camada fina de glacê. Com um cortador de biscoito em forma de estrela, corte os biscoitos e transfira-os para uma forma coberta com papel manteiga. Molhe o cortador na água cada vez que cortar a massa.

4. Renove a massa restante com amêndoas moídas, até atingir mais uma vez a consistência ideal para abrir. Sempre salpicando a superfície de trabalho para não grudar. Cubra com glacê e repita os passos até ter utilizado toda a massa.

5. Asse em forno pré-aquecido a 160° por 12 minutos. O glacê deve ficar levemente dourado. O biscoito fica crocante por fora e cremoso por dentro mesmo depois de frio. Guarde em potes fechados, intercalando as estrelas de canela com papel manteiga.

DICA: Você pode congelar os biscoitos assados ou ainda crus, nesse caso, porém, sem o glacê. Retire os biscoitos do freezer e não espere descongelar para passar o glacê. Distribua sobre a forma e asse como indicado na receita.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Julie, eu e Julia.

KIR MOLECULAR

PÃOZINHO PORTA-TABACO

SOPA DE CEBOLAS GRATINADA

BOEF BOURGUIGNON

TATINS DE BISCOITOS AMANTEIGADOS

Se você é um dos que assistiram ao Julie e Julia, das duas, uma. Ou você abandonou a sala de cinema e foi direto à cozinha. Ou se sentou na frente do computador e escreveu um post. Acredito ter agido como a maioria. Mal entrei em casa, já peguei o bloquinho e fui conferir o estoque na despensa. A lista de compras que resultou no jantar afrancesado nem foi das mais longas. A sofisticação do preparo, a alma da culinária francesa, se sobressairia à simplicidade dos ingredientes. Afinal, seria possível fazer milagres com produtos isentos de toda a vaidade, como cebolas e maçãs, por exemplo. Nesse caso, contudo, estaria mentindo se não afirmasse ter sido a nobreza de certos ingredientes o que elevou o simples jantar à categoria de celebração. Foram a manteiga e o vinho de qualidade os componentes-chave da preparação. A manteiga rodeou os sabores e os manteve unidos desde a primeira ideia até a degustação. O vinho se encarregou de dilacerar o agrupamento de sabores, devolvendo à matéria a sua origem etérea para, enfim, subir às nossas cabeças.

Uma amiga me disse que alongo demais as palavras. Tanto blá-blá não pertence a um blog culinário. Em parte, acredito que esteja errada, pois cozinho pra valer antes de me sentar aqui e meu esforço justifica o palavrório. O filme me motivou a cozinhar para os amigos e, mesmo após a realização do jantar, ainda me sinto no embalo de dizer algo sobre as Julias. Saí do cinema encantado com a performance de Meryl Streep. Parece ser uma unanimidade. Existe algum papel que não lhe caia bem? Mas o motivo pelo qual escrevo é outro. E não foi pelo pingo de constrangimento do aprendiz de gourmet que devorou pipocas de papelão enquanto Julia Child soltava hum-hum, deliciando-se com queijos franceses. Não. O motivo ainda é outro. Confessar não é difícil, pois como você, você e você, eu sofro do mesmo mal de uma geração que vê a exposição pessoal como moeda corrente no mercado do voyerismo digital. Eu estou falando é daquela menina, a que escreveu um blog que virou livro que virou filme. Blog que não visitei, livro que não li. Acabei no cinema por conta do marketing pesado e por causa da Meryl. A tal da Ofélia americana, a qual levava vida enfadonha em Paris, eu nem conhecia. Pelo visto, soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe ofereceu para - com muito empenho, precisa-se dizer - transformar-se num ícone da cultura culinária americana.

Aquela menina me irritou. É, não tenho papas na língua. Por outro lado, não me vexo em revelar essa hostilidade, pois me parece que ela é tão grande quando minha identificação com a história da blogueira. Pura inveja, eu sei. Seu desejo era escapar da armadilha do aborrecimento diário. Sua meta, um tanto peculiar, ininterruptamente perseguida por 365 dias, era a de ser lida. E é isso que buscamos, ou não? O que ainda me pergunto é o que lhe restou depois de todo o esforço. Ela se transformou em uma verdadeira apreciadora do mundo gourmet? Mergulhará em uma nova aventura literária, dessa vez como uma crítica de restaurantes disfarçada? Ou viverá de hambúrgueres um mês todo para mais tarde panfletear contra o méqui? Não, pois a tinta dessas ideias nem secou. A senhora Child não só assimilou as técnicas da cozinha do país que já admirava, como também ajudou a divulgar uma nova cultura culinária pela América que, já naquele tempo, desaprendia a mastigar. A blogueira irritante, ao contrário, não fez mais do que copiar aquela que já havia copiado. Os tempos são outros e talvez não haja mais espaço para tanta originalidade. Procurarei, portanto, manter meu empenho diante de uma nova busca de objetivos. Resta saber apenas se estarei copiando as pessoas certas.