quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Cookies de aveia e passas - cookies oatmeal raisin

Adaptado de Grand Livre de Cuisine: Desserts und Patisserie, Alain Ducasse
Conheço tanta gente que revira os olhos ao ver uva-passa seja lá em que receita. Se for convidado meu já pergunto se acha que na minha cozinha tem barata ou percevejo. Sim, porque só pode ser essa a explicação. Fossem em salgados, como em empanadas chilenas, fossem em doces, como em panetones ou tortas de ricota, a presença das passas valoriza o contraste, o que, na minha opinião, engrandece qualquer receita. Nos cookies abaixo, depois de assadas, as passas explodem e desenvolvem uma certa acidez que ajuda a “cortar” o doce. Mas se nem isso for motivo suficiente para enfrentar temor pela uva-passa, vale a pena tentar a receita com algum outro fruto seco picado, como o damasco, por exemplo.

Ingredientes para 10 a 12 biscoitos:
  • 140 g de manteiga em temperatura ambiente
  • 1 g de sal
  • 140 g de açúcar marrom
  • 100 g de farinha de trigo peneirada
  • 5 g de fermento químico
  • 80 g de aveia em flocos
  • 1 ovo
  • 70 g de uvas-passas pretas
Modo de preparo:
  1. Bata a manteiga com o sal vigorosamente até ficar com consistência de pomada. Acrescente o açúcar marron, a farinha, o fermento e a aveia, misturando bem. Acrescente o ovo e misture até homogenizar. Delicadamente envolva as passas à massa. Leve a massa a geladeira por alguns minutos. 
  2. Preaqueça o forno a 200°. Faça um rolo de 4 cm de diâmetro com a massa e corte-o em fatias de 1 cm. Coloque os cookies sobre uma forma untada e asse até o momento em que o centro do cookie ainda esteja úmido. Espere alguns minutos e coloque os cookies sobre uma grade para esfriar.
Dica: Você também pode usar uma colher de sorvete para fazer as porções; nesse caso, não será preciso levar a massa à geladeira.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O morango e o silêncio (parte 2)

Eu tinha seis anos ontem e para comemorar meu aniversário, meus pais resolveram visitar uma feira agropecuária. Tudo o que criança imagina de uma festa estava lá. Gente, torta de nata, palhaço e pônei. Os convidados, no entanto, eu desconhecia todos. Por esses, não esperava ser reconhecido como aniversariante. Tive que achar rapidinho o meu canto. Mas será que posso estar aqui? Foi um par de passos para chegar aos confins da feira e apenas um para transpor a linha que separa o dos outros daquele que é meu, e ninguém tasca, novo mundo. Era hora de bradar a alegria encolhidinha no peito, já  e sempre resignada aos bons modos da família tradicional.

O terreno eram canteiros paralelos cobertos de lona preta, eles partiam dali e acabavam em algum lugar, visível apenas para aqueles que podem dar saltos espetaculares. Caí de quatro para averiguar de perto os tufos verdes rebentando da lona. Eram plantinhas débeis aqueles morangueiros. Segundos depois, me pus de joelhos já sucumbido à tentação da gula, pela qual venho sendo perseguido toda a vida. Goela abaixo, fui empurrando um fruto após o outro. E não demorou muito para que os morangos, aquelas gotas vermelhas amarmeladas pelo sol, passassem, voluntariamente, a mergulhar em mim. A prova de que é doce a eternidade. Mas eu só tinha sete anos e isso parece ser tempo curto para que criança entenda de que felicidade não é coisa absoluta.

Meu irmão me levantou pelo braço e me escorreu pela valeta emplastificada entre dois canteiros. Um cheiro de guloseima barata que desprendia dele encobriu o perfume dos morangos, dissipando-se, assim, todo o meu festim particular. Você que não dê um pio, grunhiu o meu irmão. Ao atingirmos a borda da plantação, fui traspassado para minha mãe que aguardava bufando. Içado pela orelha, caminhei como um bailarino trôpego em direção ao carro. Você sabe há quantas horas estamos atrás de você?, perguntou a minha mãe, que posicionava cada palavra entre um bufo e outro. Meu pai apoiava as duas mãos sobre o volante. Não disse nada. O vrum-vrum do motor, porém, me atemorizava. 


Um bolo sob uma cúpula de plástico apartava os territórios no banco traseiro. Parece que todo mundo resolvera retornar à cidade na mesma hora. Os motoristas se agrediam mutuamente com palavrões abafados pelas buzinas. O carro contornava lentamente a plantação de morangos. Pude ver que a passarada retornara à posição de predadores. Pude ver ainda uma placa aprumada logo no fim dos canteiros. Eu já tinha sete e por isso sabia ler. Cuidado. Uso de agrotóxicos. Risco de contaminação. Não entre. E logo abaixo, uma caveira.  

Financier de morango

(Adaptado de Cafe Cakes – The Australian Women’s Weekly)
O que faz de um financier um financier? A forminha retangular, parecida com uma barra de ouro? Ou será a massa de claras e amêndoas enriquecida com manteiga, manteira e mais manteiga? Dessa vez a vontade de experimentar a receita foi maior do que o desejo de satisfazer o fetiche de um confeiteiro amador.  Mas só dessa vez. Continuo achando que a forma certa influencia, sim, no gosto final do bolo! Um dia, compro umas forminhas, com certeza. O que farei agora, então, é comer um financier de olhos fechados, aí, não fará diferença. E só vou abrir na hora de catar um outro bolinho.

Ingredientes para 12 unidades:
  • 185 g de manteiga derretida
  • 125 g de farinha de amêndoas
  • 6 claras de ovos levemente batidas
  • 240 g de açúcar de confeiteiro peneirada
  • 75 g de farinha de trigo peneirada
  • 100 g de morangos maduros cortados em fatias finas


Modo de preparo:
  1. Preaqueça o forno a 180°. Unte as formas de financers. Em uma bacia, misture a manteiga, o açúcar, as claras, as amêndoas e a farinha e mexa até atingir uma massa homogênea.
  2. Despeje a massa nas formas. Distribua decorativamente as fatias de morango sobre a massa.
  3. Leve para assar por 25 minutos. Deixe descansar 5 minutos e desenforme.